terça-feira, 30 de junho de 2020

PEQUENO ENSAIO SOBRE O ATEÍSMO CRIACIONISTA CIENTIFICISTA DE RICHARD DAWSKINS

PAULO MONTEIRO DOS SANTOS[1]

 Antes de abordarmos nosso tema devemos definir de modo geral o que vem a ser o ateísmo. O ateísmo é um movimento que não crê em religião, nem no sobrenatural (RODRIGUES, 2018, p. 61). Sobre esse aspecto devemos defini-lo também como na não crença em Deus, ou em qualquer outra forma de transcendente.

Embora, a palavra sobrenatural remeta a algo que é paranormal, definida como aquilo que está além da natureza, não invalida o fato que este é algo transcendente, e de certa forma, metafísico. Mas com bases filosóficas, não podemos cair no erro de dizer que a Metafísica é o sobrenatural.

É salutar pensarmos que o ateísmo científico nega a existência de Deus, das religiões e de qualquer tipo de transcendente. Isso é fato. Mas de acordo com o texto de Rodrigues (2018), as ideias ateísta baseadas na biologia de Darwin, e professadas por Richard Dawskins, não abandona a ideia da criação.Devemos aqui lembrar que esta ideia, por sua vez, foi introduzida pela religião semita hebraica. 

Parece-nos que foi abandonado a ideia de um ser criador (RODRIGUES, 2018, p. 61), mas não se abandonou a ideia de criatura. Abandonou-se a ideia de um engenheiro do relógio, mas não abandonou-se a ideia da engenharia do relógio. E se somos criaturas ficou a lacuna do criador.

Pensamos que existe um problema, que já Sartre apontava em o Ser e o Nada, o qual: se devemos abandonar a ideia de Deus, devemos abandonar a ideia de criação, e de qualquer forma, da lei necessária, ou seja, de qualquer axioma para explicar a realidade, pois esta se mostra puramente contingente, e os seres no mundo, em-si, estão em ato puro (SARTRE, 1997). Explico-me?

Mas qual é o problema da ideia de criação? É que tal ideia remete a pressupor o “nada” – ex nihilo fit – ens creatum. Mas para qualquer lugar que se olhe, não se vê esse “nada”. Tal fato é absurdo. Essa ideia não é nossa, mas de Sartre (1997) e Heidegger (1969). Desta forma, caímos novamente no homem como centralidade (o sujeito transcendental de Kant).

O nada, nesse sentido, é como se fosse um local onde as coisas fossem modeladas, criadas, emanadas, plasmadas e etc. Mas que local? Se digo que há um local eu já pressuponho espaço-tempo, e se afirmo isso digo que o espaço-tempo seria um “nada” absoluto. E assim a coisa vai ao infinito e suscita paradoxos absurdo, diga-se de passagem, se analisados com maior precisão.

O que queremos colocar é que, se for negado a ideia de Deus e pressupor a ideia de “criação”, e quase um erro redutivo, pois, é preciso explicar como se deu essa “criação” e como "o nada" pode se criar a si mesmo– “ex nihilo nihil fit[2]” (HEIDEGGER, 1969).

Assim a ideia do neo-ateísmo, cai em máximas relativistas. E a ciência passa a se propor como sendo ela uma religião onde não prova a “não existência de Deus”, e no mais, coloca outra coisa no lugar de Deus, que seria outro deus.

 

REFERÊNCIAS

 

HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica. Tradução de ErnildoStein. São Paulo: Livraria duas Cidades, 1969.

SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada: Ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de Paulo Perdigão. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

RODRIGUES, S. G. F. Alister McGrath versus Richard Dawkins. In: VALLE, Edenio. (Org.). Ateísmos e irreligiosidades: tendências e comportamentos. São Paulo: Editora Paulinas, 2018.   



[1] Graduado em Letras (UNEB); Graduado em Filosofia (FAVI); Email: paulus.monterum@gmail.com

[2] Heidegger usa o termo, segundo ele vindo da Filosofia Antiga Grega, para dizer que do nada nada vem (HEIDEGGER, 1969, p. 40).


segunda-feira, 29 de junho de 2020

A ÉTICA KANTIANA: TEORIA CONTRATUALISTA DE IMMANUEL KANT

        

PAULO MONTEIRO DOS SANTOS[1]


             Kant afirma que o estado de natureza é social, mas limitado em leis que podem ser perfeitas ou imperfeitas. Existe sociedade no Estado de Natureza e se neste estado tudo vai bem, não se há a necessidade de mudar as coisas.

Na lei perfeita temos um preceito e uma sanção que faz a lei ser cumprida; nas leis imperfeitas temos preceitos, mas não há uma sanção, isso torna a lei enfraquecida.

O poder coato é uma força que obriga as pessoas a cumprirem a sanção da lei. A coação é justa quando ela restaura a liberdade; é injusta quando a coação restringe a liberdade de alguém. O que celebra o contrato é a obrigação moral das pessoas a cumprirem a lei.

O Estado surge através do poder Coato para garantir a nossa Liberdade. Essa Liberdade será do Uso público da Razão (Crítico) ou do Uso Privado (Instrumental).

O Uso publico da razão é um uso Crítico, ou seja, a discussão de uma regra de ser aberta a todos, e deve afetar, ou contemplar a toda a comunidade. O Uso privado da Razão é o uso instrumental: A discussão da regra só afeta o sujeito ou um determinado grupo, a cumprir uma tarefa para a qual ele se dispõem a fazer.

Agir pela lei significa que eu devo agir para respeitar o outro: eu obrigo a mim mesmo; Agir conforme a lei significa: agir porque a lei me obriga a fazer, do contrario sofro punição.  

A estrutura da Lei Moral e Jurídica, diz respeito ao agir. 1º) Na Lei Moral o agir é interno: a lei como uma obrigação do eu-com-eu: agir pela Lei; 2º) Na Lei Jurídica o agir é externo: É um agir conforme a lei. Eu não faço como uma obrigação por mim mesmo, mas porque posso sofrer uma pena se não agir de acordo com a regra.

No Imperativo Categórico a lei está no interior: é uma ordem ética dentro do Eu. No Imperativo Hipotético a lei está no exterior: a ordem que agi no sujeito é uma imposição da lei. É de fora para dentro.

Segundo Kant: para agir moralmente, tem que ter uma alma Santa: “O céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim,” e isso é quase impossível de ser feito. Por isso Kant coloca a metáfora da alma santa. A definição do Bem é impossível porque transcende os limites da razão, e a razão não pode conhecer a Metafísica, isso para Kant.

O Dever moral surge quando há dentro do sujeito uma autonomia: “Agir de tal forma que a máxima de tua ação possa tornar-se um principia universal de conduta. Agir pela lei”. Uma alma santa é: Agir de forma ética a fim de que esta ação torne-se um principio ético universal de conduta dentro do sujeito. Na alma santa não há mais um imperativo Categórico, há uma consumação do Sumo-Bem. 

Para Kant, temos três postulados: 1) Existe o Sumo-Bem; 2) A Liberdade; 3) A Imortalidade da Alma. Mas essas coisas só podem ser postuladas, nunca poderão ser provadas, pois elas caem sempre em aporias e contradições. Mas veja que ninguém pode postular algo que não existe.

O Esclarecimento é ser iluminado por uma racionalidade, tornar as coisas visíveis pela razão. Uma Autonomia da Razão.    

Quando temos uma sociedade incapaz de se direcionar sem uma autoridade, e precisa do discernimento racional de um tutor, temos uma sociedade, ou indivíduos dotados de menoridade: Uma incapacidade de tomar por sua própria razão, decisões. Fazer um julgamento de determinado assunto.

O tutor não é esclarecido, porque o esclarecimento está em movimento continuo, por isso não temos um esclarecimento definido. Muito menos uma tutoria esclarecida. Porque o sujeito que age como que se precisasse de um tutor, tem preguiça de pensar e tomar suas decisões.

Devemos ousar saber, se arriscar a experimentar na nossa razão, ter autonomia para decidir sem a tutela do outro. Assim poderemos ser mais esclarecidos.

O Estado não pode interferir na atitude do individuo pois, se assim for, ele aprisiona o sujeito em uma menoridade, castrando sua liberdade, ou seja, o estado não deve influenciar no pensamento das pessoas.

        O bom legislado, para melhorar a sociedade, deve fazer-se do uso publico da razão e garantir a liberdade das pessoas, por isso se cria as leis. A Lei no Estado de Natureza tem preceitos, mas não sanção. O legislador precisa criar leis que funcione e sejam sancionadas pelo poder coato, mas essas leis não pode favorecer a um bem individual, e sim geral, que atenda a toda a sociedade. Então, o uso publico vai garantir a cada sujeito particular sua liberdade. Mas a lei neste sentido, deve ser comum a todos, ela será Universal e dará garantia de qualidade a cada pessoa.   

Porque, um contrato que vai de encontro a liberdade de todos, não existe logicamente, e atende ao uso particular. Em outros termos: É um crime que tenta se impor como lei sem atender o uso publico da razão. O contrato é nulo quando não tem efeito: É um contrato ilícito; Anulado é um contrato que existe e pode ser corrigido, retificado, e pode tornar-se lei quando atende ao uso geral.

Para Kant, a lei foi feita para garantir a liberdade das pessoas (Entendemos liberdade como autonomia da razão, esclarecimento). Quando a lei restringe o pensamento das pessoas, ela impede o bem máximo da garantia de liberdade, e isso para Kant é um paradoxo. A lei não pode impedir o livre pensamento das pessoas. 



[1] Graduado em Filosofia (FAVI); Graduado em Letras (UNEB)

Email: paulus.monterum@gmail.com


REFERÊNCIAS

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. In: ______.  Immanuel Kant. Tradução de Valerio Rohden e Udo Baldur Moosburger. São Paulo: Abril Cultura, 1980. v. 1. (Coleção Os pensadores).

KANT, Imannuel. O que é o esclarecimeno? In: ____. Textos Seletos. Tradução de Floriano de Souza Fernandes. 4. Ed. Petropolis: Vozes, 2010. p.63-71.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario.  História da Filosofia: Filosofia pagã antiga. Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 2003a. v. 1. (História da Filosofia).

 ______. História da Filosofia: Patristica e Escolástica. Tradução de Ivo Storniolo.São Paulo: Paulus. 2003b. v. 2. (História da Filosofia).

 ______. Históriada Filosofia: Do humanismo a Descarte.  Tradução de Ivo Storniolo.São Paulo: Paulus, 2004. v. 3. (História da Filosofia).

 ______. Históriada Filosofia: De Freud a atualidade.  Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 2006. v. 7. (História da Filosofia).

PASCAL, Georges. Compreender Kant. Tradução de Raimundo Vier. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

 

sexta-feira, 24 de abril de 2020

ENSAIO: RELAÇÃO JESUS E SÓCRATES; JESUS O TRANSGRESSOR DE VALORES, SÓCRATES O MANTENEDOR DE VALORES


PAULO MONTEIRO DOS SANTOS[1]
 

INTRODUÇÃO
 
            Nesta pequena reflexão iremos abordar o julgamento de Jesus e vamos fazer uma comparação, do mesmo, com o julgamento de Sócrates. Nosso objetivo com este conteúdo é mostrar que Jesus, diferentemente de Sócrates, foi um transgressor, mas que esta transgressão fora necessária para resgatar a dignidade do povo sofredor em seu tempo.
            Contrariamente, mas não menos virtuoso, Sócrates buscava salvar a democracia ética da cidade contra a corrupção individualista dos maus sofistas. Deste modo, acreditamos que os temas são distintos, mas cada um com sua nobreza e valor. Ratificamos que nosso foco não é teológico, porém, de certa forma, político-social. Não descartamos a teologia, no entanto, vamos usá-la como ponto de apoio ao assunto aqui explorado.
 

1 O JULGAMENTO SOCRÁTICO
 
            O primeiro ponto é sabermos que Sócrates não foi condenado por uma espécie de heresia em si, mas por ensinar aos jovens doutrinas ateístas, o que na verdade, e Platão tenta demonstrar na Apologia a Sócrates,[2] tal acusação é mentirosa, pois foi justamente o próprio oráculo de Delfos (por uma prática religiosa) quem anunciou a Sócrates que ele era o mais sábio dos homens.
            Assim, e há muitas mais provas sobre o fato, Sócrates não pode ser considerado um transgressor de valores, mas ao contrário: Sócrates foi o mártir dos costumes éticos atenienses, pois o mesmo acusou, em seu julgamento, que eram os sofistas os quais feriram a democracia de Atenas quando passaram a cobrar por seus ensinamentos, fato que era absurdo para o regime de Atenas.
            Analisemos isso: Sócrates morreu por defender os valores éticos morais da república contra as falsas doutrinas. Logo em seguida, o filósofo não recusou a sua pena. Quando, segundo Platão, seus discípulos o aconselharam a fugir, Sócrates recusou esta atitude e abraçou a morte sem arrependimentos. Morrer por crer que a maioria, e esta era a República, o condenava a morte.[3]
 
2 O CASO JESUS
 
            O caso de Jesus é parecido ao de Sócrates, mas não é o mesmo. Primeiro que não havia uma república em Israel no tempo de Jesus; Segundo: os grupos sociais políticos eram distintos dos de Atenas; Quarto: Jesus de fato transgrediu-o os valores dos regimes judaicos. Vamos entender tudo isso.
            Israel era uma monarquia, a qual estava fragmentada em dois reinos: do Sul e do Norte, Judá e Samaria; Além disso era dominada por outro império: O romano. Não havia em Israel uma unidade governamental. Opostamente a classe ateniense onde todos eram cidadãos e tinham a palavra no senado, Israel era formado por vários grupos: Saduceus: espécie de aristocratas; Fariseus: os chamados mestres da lei; Os rebeldes Zelotes; e religiosos extremistas como os Essênios. Por último e menos importantes estavam os Anawin: os chamados pobres de Javé. Essa era a situação sócio-política em Israel.[4]
            Jesus logicamente nasceu neste contexto e e era um dos pobres de Javé. Nasceu neste contexto e transgrediu os valores quando afirmou abertamente no templo que ele era o Filho de Deus. E para confirmamos esta transgressão, observamos que antes, no monte das Oliveiras, quando os guardas perguntaram entre os discípulos de Jesus, quem era Jesus o Nazareno? O próprio Jesus responde: “Eu sou”, pronunciando o nome de Deus a sua pessoa. Ato criminoso. Além de ter confirmado no próprio pátio do sinédrio essa mesma blasfêmia.
            Sem sombra de dúvidas, a acusação fez a parte dela em mostrar que diante da lei Jesus estava errado. Mas porque Jesus fez tal heresia? Talvez a resposta esteja nestes pobres de Javé, os anawin. Quem eram estes pobres? Eram os leprosos retirados das cidades e que ninguém tocava; eram as viúvas doentes que os fariseus não atendiam; eram os pescadores explorados pelos cobradores de impostos; eram as prostitutas que sofriam com seus transtornos sexuais; Eram os josés carpinteiros; as marias desamparadas; os cegos na porta do Templo; os coxos que sofriam por acreditarem que seus problemas físicos eram a culpa de seus pais. Jesus transgrediu os valores por esta gente.
            De certa maneira, Jesus morreu para cumprir uma nova aliança entre Deus e os pobres anawin que padeciam no deserto. Ainda antes de morrer, apareceu o último pobre, o ladrão arrependido! Ora, um criminoso arrependido não é digno do perdão? Parece que para Jesus era.
 
3 JESUS O TRANSGRESSOR
 
            Parece-nos que Jesus morreu transgredindo todos os valores em Israel. Já em seu nascimento começa as primeiras transgressões. Sua mãe Maria e seu pai José, são os primeiros a irem de encontro a estes valores: José, criminosamente protege Maria a qual teve um filho fora do casamento. Outra transgressão de Jesus era de ser chamado, mesmo pelos fariseus, de Rabi: mestre das escrituras sem nunca ter estudado numa escola de tradição farisaica. Depois, e aqui se aumenta as transgressões, Jesus trabalha no sábado; toca no leproso impuro; na prostituta; e o mais absurdo das transgressões para os doutores da lei: perdoa pecados. Assim, diziam os fariseus: “Quem é este homem que perdoa pecados? Que loucura é essa?”[5] Jesus sistematicamente, rompe todos os valores possíveis do seu tempo em nome de uma causa: Os pobres de Javé: Anawin.
            E qual a causa de tudo isso? Jesus queria lhes dá uma esperança, um motivo para viver, uma dignidade. A dignidade do Pai para aqueles que mais padeciam em Israel, por isso prometia a estes pobres uma ressurreição dos mortos. Até seu último ato foi o de proteger seus pobres no monte das Oliveiras: “Os amou e os amou até o fim”, exalta o os Evangelhos.
 
CONCLUSÃO
 
            Evidentemente que o compromisso total de Jesus era dar esperança ao seu povo, mesmo que isso lhe custasse a vida. Enquanto que Sócrates tentava manter os valores, Jesus tentava rompê-los, pois os mesmos eram injustos. Duas atitudes nobres, mas um foi mantenedor, o outro transgressor. Sócrates morreu para a dignidade da pólis; Jesus pela dignidade das pessoas. Concluímos afirmando que os atos podem ter seus motivos parecidos, mas são bastante diferentes em linhas políticas e sociais.         

[1] Graduado em Letras (UNEB); Graduado em Filosofia (FAVI). E-mail: paulus.monterum@gmail.com
[2] PLATÃO. Apologia de Sócrates. Trad. Manuel de Oliveira Pulquério. Edições 70. Lisboa, 2009.
[3] PLATÃO, República. Tradução Maria Helena da Rocha Pereira. 9. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbbenkian, 2001.
[4] Bíblia de Tradução Ecumênica, TEB, São Paulo: Loyola, 1994.
[5] BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

domingo, 5 de abril de 2020

RESENHA CRÍTICA SOBRE DO TEXTO INDÚSTRIA CULTURAL DE HORKHEIMER E ADORNO


Paulo Monteiro dos Santos[1]

 


CREDENCIAIS DOS AUTORES
 

Max Horkheimer (1895-1973. Nasceu em Nuremberga, Alemanha) e Theodor W. Adorno (1903-1969. Nasceu em Frankfurte, Alemanha) são dois grandes filósofos e os principais representantes da Escola de Frankfurt na Alemanha.


HORKHEIMER, Max & ADORNO, Theodor. A Indústria Cultural: O Iluminismo como Mistificação de Massas. Pp. 169-214. In: LIMA, Luiz Costa. Teoria da Cultura de Massa. São Paulo: Paz e Terra, 2002. 364p.



RESUMO: O texto de Horkheimer e Adorno: “A Indústria Cultural: O Iluminismo como Mistificação de Massas”, expõe como principal conteúdo: o monopólio dos meios de comunicação, o qual se funda em transmitir uma cultura de dominação e retardação social, que tem por fim, atrofiar o sujeito em um eterno consumismo.



Horkheimer e Adorno, a princípio, apontam que a cultura atual não é um caos, embora possa parecer, mas tem um centro, o qual se fundamenta na verdade do negócio. Por trás desta cultura existe uma racionalidade técnica, e nesta técnica, o talento pertence não mais a cultura, mas a uma determinada indústria, porém quem manda são as grandes potencias do mercado.

Cinema, TV, (e em nossos dias a internet), defendem algo diferenciado e democrático, porém essa uniformização é contraditoriamente igual. O mundo não é diferente do que passa na TV nem no Cinema, mas o espectador acredita que seja, e que o seja ainda como uma extensão de sua própria vida, que no fundo não é.

A racionalidade técnica só serve a economia, e a indústria cultural está muito distante da arte, no entanto, dela se serve. A TV, imprimi a força maior da indústria cultural, pois nela está contida: a imagem, o texto, o som, o filme (hoje é a internet que faz esse papel). A racionalidade da indústria cultural passou-se a ser uma irracionalidade. Todo o mundo passou pelo crivo desta industrialização, e esta, atrofiou o espírito criativo do homem.

A indústria cultural é também uma negação de estilo. Este, e seja qual for o estilo, deve se reconciliar com a universalidade autêntica, mas a arte, em si, tem de está em confronto com a tradição, pois assim, ela transcende e rompe com a tradição. Se a arte ficar somente no poder universalizante da indústria cultural, a arte passa a ser tão somente ideologia.

A indústria cultural nos deixa livres para viver qualquer estilo, mas nos expulsa de um grupo se não nos adequarmos aquela tal cultura. Nos convence facilmente, através da mídia de massa, de que somos insignificantes e substituíveis. A indústria cultural regula sua relação com o passado para não deixar o novo surgir, no entanto é apenas uma repetição do que os autores chamam de arte leve. Esta, priva dos consumidores aquilo que ela promete, e tenta excluir a técnica do homem para que lhe atrofie em seu sistema.

Outro ponto é a questão sexual: A indústria cultura não sublima o sexo, mas o sufoca, já que mostra explicitamente o filme pornô. Mas isso apenas aguça o desejo daquilo que não é real de fato, ou seja, oferece sexo, mas ao mesmo tempo nos priva o desejo.

A indústria cultural nos quer que transformemo-nos em eternos consumidores. Oferece-nos sairmos da vida cotidiana, só que no fundo é o contrario: ela nos afoga ainda mais nesta vida monótona e ensina-nos a tolerar; obrigando a sempre estarmos alegres e divertirmos, só que, divertir-se é não pensar no desagradável, mas é fato que o desagradável sempre vai existir no esforço da vida social. Assim as pessoas vão trocando a ideia do esforço por uma ideia do prêmio que lhes são oferecidos pelo filme, TV, Radio, etc.

O cinema tenta colocar em nossas cabeças que podemos viver uma vida fácil, e que o real pode ser sempre repetido, e quase todos os filmes são repetições, mas isso é apenas uma formula de domar nossos instintos criativos. A indústria cultural nos mostra que é possível viver uma vida desumana e que esta é tolerável. Por 50 dólares se pode ver um filme que custou milhões para ser feito.

A indústria cultural assume uma onipresença e a publicidade é o seu elixir da vida. Na verdade, hoje em dia, a publicidade é o elixir para a vida de todos. A publicidade é a arte por excelência. Assim, a comunicação de massa, em nossos dias, está nessa etapa, onde todos são livres, mas para “sempre” iguais.

INDICAÇÃO DA OBRA


O texto trás bastante informação e faz uma crítica reveladora a sociedade. É indicado a estudantes de todas as áreas, seja nas áreas das ciências humanas até mesmo nas exatas. É um tema bastante amplo.








[1] Graduado em Letras Vernáculas (Universidade do Estado da Bahia - UNEB); Graduado em Filosofia (Faculdade Vicentina - FAVI) e graduando em Teologia (ITESP).

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

QUADRA SOBRE OS OLHOS DE NANCY


Fora como se eu avistasse
A bravura da vida em mim
E o verde do mar soprasse
O poema dos olhos de Nancy.

Sobre o orvalho da tarde
Estando enfrente ao jardim
A chuva na rua enciumasse
O poema dos olhos de Nancy.

A palmeira sopra a lua
Na noite calma de Bonfim,
A canção se entoasse nua
No poema dos olhos de Nancy.

E a noite assim questionava
Qual tristeza do rio em si
Na aurora que se anunciava
O poema dos olhos de Nancy.

Paulo Monteiro
2012

quarta-feira, 22 de maio de 2019

QUADRA DA DESPEDIDA

(A Genilda, minha amiga)
Um adeus te digo nunca;
Um adeus não me vem;
Um adeus me vem na garganta;
Um adeus! não vejo ninguém.
Ainda um livro na minha mesa;
Era seu, você me emprestou!
Ainda saudades da leitura,
É verdade você nos deixou.
Um sonho tão lindo se parte,
No sol de dia o olhar
Genilda se vai tão contente,
E nós não queremos pensar.
A tarde já vem, o sol dorme
As ruas triste se calam.
Adeus amiga Genilda,
Até que as horas não tardam.
Paulo Monteiro Dos Santos

domingo, 2 de dezembro de 2018

CRÍTICA À METAFÍSICA FEITA POR IMMANUEL KANT



 Paulo Monteiro dos Santos[1]


RESUMO: O presente trabalho tem como fim: descrever a crítica dada por Kant em relação á capacidade do conhecimento humano de saber sobre a metafísica e até onde este se limita. Também tentou-se neste artigo fazer uma síntese sobre as discussões a metafísica, desde Platão até Hume. Notou-se, por fim, que Kant bloqueia o conhecimento em relação a metafísica, mas não impossibilita sua existência.

PALAVRAS-CHAVES: Kant. Metafísica. Conhecimento
                                                                                                                               
INTRODUÇÃO

O presente artigo faz um apanhado geral da crítica que faz Kant a metafísica. Na primeira parte se pretende discutir a relação da filosofia grega e da cristã, o que resultou de um mesmo significado, no que tange a explicação da realidade pela teoria realista, mas estas diferem no que diz respeito à explicação do mundo pela origem. A grega diz que a origem se dá de forma emanentista; a cristã protesta, dizendo que a origem é criacionista, onde Deus criou o mundo.
Logo em seguida, Descartes e Bacon, retiram a ideia de uma explicação realista do mundo, afirmando que o mundo não é do jeito que vemos, pois este pode nos enganar. Descartes e Bacon dá mais importância a razão. Por ela devemos olhar o mundo livrando-o dos preconceitos. 
Estes filósofos revolucionam a ciência apresentando um novo modelo. Mas é Kant, com sua crítica ao conhecimento, quem fundamenta a teoria dos juízos, porém sua teoria, de certo modo, condenou a possibilidade de qualquer conhecimento a metafísica. Vamos entender como Kant chegou a tal conclusão.

1 HISTÓRICO DO PROBLEMA NA METAFÍSICA

Podemos perceber que a metafísica foi primeiro exposta por Platão em sua teoria do mundo das formas, onde este filósofo tentou dar uma explicação do tipo realista para descrever o mundo e a realidade que se mostra ao homem. Neste sentido Platão divide a realidade em duas: 1) mundo das formas – eidos - 2) mundo material – sombras - , onde o mundo material engana nossos sentidos, e
por essa razão, devemos buscar o conhecimento no mundo das formas, pois, nesse se encontra as verdades eternas e perfeitas (ANTISERI; REALE, 1990). Essa explicação, embora não tenha um caráter sistemático como em Aristóteles, foi a primeira grande síntese entre as filosofias de Heráclito, do movimento, e de Parmênides, sobre o ser. Mas Platão não explica de forma clara como se dá a passagem entre as formas e o mundo material. Colocando um deus modelador, Demiurgo, ou explicando pelo mito da caverna (CHAUÍ, 2000, p. 352); (CHAUÍ, 2000, p. 354)[2]. O primeiro a tentar fazer uma sistematização da metafísica foi Aristóteles, que a chamou de filosofia primeira, ou teologia (ANTISERI; REALE, 1990, p. 179). Este filósofo buscou estudar o ser, a substância e a essência. (ANTISERI; REALE, 1990). Tentou também resolver a problemática deixada por Platão sobre a questão do movimento entre matéria e forma, o qual ele explicou como ato e potência.
Porém, com a mudança da perspectiva cultural do ocidente entre o cristianismo e a cultura grega, a filosofia ganha uma nova leitura: Sai o “logos” grego e entra o “logos” cristão, e para o cristianismo as coisas não emanavam de um mundo das ideias ou de um motor imóvel, mas elas foram criadas por um Deus que em si, é monoteísta. Embora a filosofia cristã tenha assimilado muitas teorias do tipo platônicas, ela tinha uma enorme diferença em sua explicação para a origem das coisas. E seu maior nome foi Santo Agostinho. Este filósofo, com base em suas análises
hermenêuticas na Bíblia, vai dizer que Deus criou as coisas do “nada” (AGOSTINHO, 1975, p. 327). E aqui, ao menos é o que defendemos, há uma cisão e negação da cultura grega. A metafísica deixa de ser uma explicação da eminência para ter uma explicação criacionista. O cristianismo passou a dar maior “liberdade” ao homem, e pensamos que não apenas ao homem, mas também ao mundo (ANTISERI; REALE, 1990).
Santo Tomás de Aquino, outro grande nome da filosofia cristã, vai assimilar a filosofia de Aristóteles e sua teoria do ato e potência, à filosofia escolástica e mostrar pelo estudo da metafísica, a existência de Deus, e explicar a realidade do mundo, sobre esse ponto de vista. Mas tanto a filosofia grega como a cristã, entendiam o mundo de forma radicalmente realista. Ou seja, o mundo existia independentemente do homem para justificá-lo, o que preocupavam cristãos e gregos era saber qual era sua origem.
Descarte, que tinha por princípio uma filosofia racionalista, se opunha a filosofia aristotélica da escolástica. (ANTISERI; REALE, 2004, p. 287), se oponha porque para o racionalismo a verdade não depende do mundo, mas da minha própria condição de pensar. Se o mundo que vejo depende exclusivamente de meu pensamento para existir, é correto dizer que tudo o que vejo é apenas Ideias. Ideias da coisa pensante. (ANTISERI; REALE, 2004, p. 287)

A explicação anterior a Descartes, era realista. Assim, antes da modernidade, a realidade era algo determinado por leis da natureza criadas por Deus ou por um Sumo-Bem. O homem se enquadrava nestas leis e era determinado por elas. Descartes e Bacon proclamaram que as leis podem ser conhecidas pelo homem. E o homem pode modificar e manipular as leis da natureza. A grande questão era que, para Descartes, nós já tínhamos ideias inatas e não precisávamos de nenhuma experiência para conhecer as leis da natureza. (ANTISERI; REALE, 2005)
Para John Locke, (Inglaterra, 1632-1704) a mente era uma tabula rasa. Não há nada em nosso intelecto, ele recebe o material unicamente pela experiência em contato com o mundo. O empirismo que Locke proclamava é o de não apenas analisar o objeto, assim como orienta Bacon, mas de examinar a condição do sujeito frente ao objeto. Para isso Locke afirma que o conhecimento depende unicamente da experiência. (ANTISERI; REALE, 2005, p. 93) Com essa crítica ao inatismo cartesiano, Locke, e os principais filósofos ingleses vão defender uma teoria do conhecimento sobre o ponto de partida do empirismo. David Hume vai levar o empirismo a últimas consequências, formulando um ceticismo moderado, onde diz que todo o intelecto não passa de impressões, ideias e suas ligações estruturais. Não há necessidade no mundo, essas coisas são fruto da nossa capacidade intelectual. O mundo é tão somente contingente. (ANTISERI; REALE, 2005, p.133-138)  
Tanto os empiristas quanto os racionalistas defendiam uma concepção idealista do mundo, embora ambos, com explicações diferentes sobre o processo de como se dava o conhecimento. Será Kant, com seu criticismo, que unirá as duas grandes correntes na teoria dos juízos sintéticos a priori. Mas Kant levará as últimas consequências as teorias idealista da razão, negando a possibilidade de um conhecimento metafísico.

2 CRÍTICA DE KANT A METAFÍSICA

Kant, deu toda razão a Hume. Hume o acordou de um sonho dogmático, assim diz Kant. (PASCAL, 2008, p. 29-30). A causalidade não tem fundamento. O sonho da ciência era formar um princípio necessário e universal, mas não há um determinismo causal na natureza. Kant percebeu que
havia um confronto entre a ciência de Isaac Newton e o ceticismo de Hume. Além disso o embate entre empirismo e racionalismo.  Kant não era por certo um cético radical como Hume, mas havia verdades que eram universais e não apenas contingentes. "Como efeito, o empirismo cético de Hume e, em particular, a sua crítica da noção de causalidade, tornava incertas as posições do racionalismo dogmático. [...]" (PASCAL, 2008, p. 29-30). Assim Kant retoma a análise dos juízos: Analíticos e Sintéticos.
Kant chega a uma conclusão, que os juízos só são sintéticos a priori. Eles não são apenas sintéticos e analíticos. Há verdade nas discussões de empiristas e inatistas. Há relação entre a experiência e o sujeito conhecedor.

Mas a grande descoberta de Kant, a que confere todo o seu alcance à sua "revolução copernicana", é a da existência de uma terceira classe de juízos, os juízos sintéticos a priori. Estes são universais e necessários, como os juízos analíticos, mas, além disso, nos permitem ampliar os nossos conhecimentos, enquanto os juízos analíticos apenas podem explicá-los ou esclarecê-los. (PASCAL, 2008, p. 39)

Na Crítica da Razão Pura, Kant cria um sistema de faculdade para um sujeito que é transcendental. E estas faculdades são comuns a todos não apenas para um único sujeito. Na filosofia de Kant temos uma teoria da mente. (PASCAL, 2008, p. 69) A ideia básica para conhecer é matéria e
forma, assim como na teoria de Aristóteles, mas a coisa em si mesmo não podemos conhecer. A coisa em si mesmo é um caos. Nós é que pomos a forma para organizar, dar ordem a esse caos.  (PASCAL, 2008, p. 69). O sujeito transcendental, dito por Kant, tem um sistema de capacidades que pode compreender sobre a percepção do mundo, e pensar sobre o mundo. Essas capacidades devem também compreender os conceitos formulados nesse sujeito.
Temos a capacidade da sensibilidade a primeira faculdade do sujeito transcendental, e ela nos fornecem a intuição. A intuição é uma percepção imediata de fatos empíricos. O sujeito também tem a faculdade de formular conceitos, essa faculdade é do entendimento. A faculdade do entendimento se dá pelas categorias, que são doze. Tais categorias nos dão a capacidade do entendimento. Há ainda outra faculdade que liga entendimento com a faculdade da sensibilidade ela é a imaginação. Não a imaginação de ilusão, mas uma imaginação transcendental.  (PASCAL, 2008, p. 62)
 A imaginação liga a intuição aos conceitos e o resultado desta ligação são os juízos, que por sua feita, resultam nos fenômenos. A junção entre a Estética Transcendental e a Analítica Transcendental, surge a Dialética Transcendental. Na Dialética, Kant escreve sobre a Razão, assim ele aborda coisas da não sensibilidade. O conhecimento é agora uma produção humana que não apenas observa, pois, o objeto não é simplesmente dado. O problema é que a razão nesse processo de conhecer busca sempre ir além de sua capacidade. (KANT, 1980, p. 25)

Esses problemas inevitáveis da própria razão pura são Deus, Liberdade e Imortalidade. A ciência, porém, cujo propósito último está propriamente dirigido com todo o seu aparato só à solução desses problemas denomina-se metafísica; o procedimento desta é de início dogmático, ou seja, assume confiantemente a sua execução sem um exame prévio da capacidade ou incapacidade da razão para um tão grande empreendimento. (KANT, 1980, p. 25)

A razão busca ir além do fenômeno, ela quer se elevar ao ser-em-si, conhecer o Númeno. (Kant não chama de Ser, mas coisa-em-si). A razão sempre nos leva ao metafísico e o grande problema da metafisica é que ele mostra conceitos sem intuições. Mas a grande questão se encontra na necessidade de a razão buscar ir além das suas capacidades, suas condições de possibilidades no processo de conhecimento. Mas sem esse propósito nos diz Kant que os avanços na própria ciência se limitam. É essencial para a razão ir além.

[...] Com efeito, sem ser movida pela mera vaidade da erudição, mas impelida pela sua própria necessidade, a razão humana progride irresistivelmente até perguntas que não podem ser respondidas por nenhum uso da razão na experiência nem por princípios ai tomados emprestados, e assim alguma metafísica sempre existiu e continuará a existir realmente em todos os homens, tão logo a razão se estenda neles até a especulação. (KANT, 1980, p. 25)

A questão para Kant é como surge na razão pura as perguntas que a própria razão humana buscar responder, de maneira necessária, além disso, de maneira que estas questões, levantadas pela razão humana, são tratadas de forma como se estivessem no mundo natural. Tais questões são Deus, a Imortalidade da Alma, e a Liberdade.

Todavia, estes raciocínios, que resultam da própria natureza da razão, são outros tantos sofismas, e é ao estudo desses raciocínios sofísticos que Kant consagra a segunda parte da Dialética transcendental, intitulada " Dos raciocínios dialéticos da razão". Os sofismas que conduzem à ideia de alma, e são chamados paralogismos da razão pura, constituem a Psicologia racional. A ideia de mundo, objeto da Cosmologia racional, inspira os raciocínios contraditórios chamados antinomias da razão pura, os quais são igualmente verdadeiros ou igualmente falsos. E, enfim, a Teologia racional, que trata do ideal da razão pura, ou seja, de Deus, contém os sofismas pelos quais se pretende demonstrar a existência de um Ser supremo.  (PASCAL, 2008, p. 95)





CONCLUSÃO

Com isso fica evidente que Kant não quis mostrar nenhum princípio do Ser, mas sim o princípio do conhecer. (NÓBREGA, 2011, 39) Assim Kant faz uma Teoria do Conhecimento, e não uma metafísica. Ao contrário, Kant de certa forma bloqueia o caminho a metafísica como uma ciência. "O que diferencia os conhecimentos racionais da matemática e da física, dos da metafísica é que aqueles são juízos sintéticos a priori, e estes, juízos analíticos." (PASCAL, 2008, p. 39) A ideia de Imortalidade da alma, a cosmologia e de Deus, são ideias incognoscíveis. Esse fato, da impossibilidade da metafísica como ciência, causou uma ruptura no modo de pensar a filosofia. A metafísica parte de princípios postulados, os quais a razão afirma, mas não conhece. O que podemos conhecer só o pode dentro das categorias, e nada mais, além disso.

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Introdução à História da Filosofia: Dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. In: ______.  Immanuel Kant. Tradução de Valerio Rohden e Udo Baldur Moosburger. São Paulo: Abril Cultura, 1980. v. 1. (Coleção Os pensadores).

NÓBREGA, Francisco Pereira. Compreender Hegel. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

PASCAL, Georges. Compreender Kant. Tradução de Raimundo Vier. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario.  História da Filosofia: Filosofia pagã antiga e medieval.Tradução de Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 1990. v. 1. (História da Filosofia).




SANTOS, Paulo Monteiro. O problema do nada na filosofia existencialista de Jean-Paul Sartre. 2018. 1 f. Monografia (Bacharelado em Filosofia) - Faculdade Vicentina, Curitiba, 2018.                                                              



[1] Graduando do Curso de Filosofia na Faculdade Vicentina. E-mail: paulus.monterum@gmail.com
[2] Estas ideias estão mais bem expostas no meu artigo “Matéria e Forma” em Aristóteles