INTRODUÇÃO
O
processo de produção textual envolve vários fatores os quais precisam ser
levados em consideração na pratica pedagógica, sobretudo, na hora da correção.
Ao limitar-se, apenas, a observância dos erros gramaticais, sem levar em
consideração os diversos contextos de produção o professor limita o texto,
apenas, ao signo linguístico.
A
complexidade da construção textual, tendo em vistas os ditos e não ditos, bem
como seus contextos, precisam “encorpar” o processo da correção. Assim, a
linguística textual trás em si um suporte que vem
subsidiar o professor na construção dos sentidos.
Sabendo
que o texto é uma manifestação verbal e/ou escrita, o qual trás elementos linguísticos,
que são ordenados de forma coerente de modo à promoção da comunicação e consequentemente
a busca de sentidos, a dissociação da linguística textual no momento do ensino,
produção, leitura e avalição textual, limita e empobrece o desenvolvimento das
habilidades da expressão escrita. Segundo Koch:
Um texto se
constitui enquanto tal no
momento em que os parceiros de uma atividade comunicativa global, diante de uma
manifestação linguística, pela atuação conjunta de uma complexa rede de fatores
de ordem situacional, cognitiva, sociocultural e inter-racional, são capazes de
construir, para ela determinado sentido. (2011, p. 30).
Assim, com diz à autora, ao avaliar a
comunicação escrita, verbal e não verbal, faz-se necessário ampliar para além
da unidade linguística. Buscando analisar as multiplicidades que envolvem o
texto.
1 A LINGUÍSTICA TEXTUAL EM SEU CONTEXTO HISTÓRICO
Tendo
em vista o universo textual, as teorias linguísticas tradicionais mostraram-se
insuficiente para explicar alguns fenômenos linguísticos que surgiam nos textos. Com isso foi-se
desenhando uma linguística textual que iniciou-se como uma disciplina que
propôs estudar o texto em suas múltiplas formas.
É
fundamental abordar também que o estudo do texto vem de uma ordem da pragmática
e visa a analisar o discurso textual que se encontra na escrita.
Segundo
Bonifacio e Maciel (2017, p.) A
Linguística Textual surgiu
especialmente na Alemanha:
[...] Como ciência da estrutura e do
funcionamento dos textos. [...] De acordo com Fávero (2010), a origem do termo lingüística textual
encontra-se em Cosériu, embora no sentido que lhe é atualmente atribuído, tenha sido
empregado pela primeira vez por Weinrich. (BONIFÁCIO; MACIEL, 2017, p.3)
Estudos
históricos apontam que a Linguística textual surgiu em meados da década de 60,
na Europa Central, só adentrando no Brasil em meados da década de 80. Segundo
Koch (2016, p.31),
“[...] a linguística de texto se
constituiu como uma disciplina cujo objetivo de investigação – texto – foi
concebido de diferentes maneiras à medida que se ampliavam as perspectivas de estudo.”
Assim,
progressivamente o texto, para a linguística textual, começou a ser entendido
primeiro como “unidade básica da comunicação e interação humana”,
posteriormente como uma “multiplicidade de operações cognitivas e interligadas”
e por fim, como uma “entidade multifacetada”.
A
LT[1]
vem alargar os sentidos de maneira a atentar e considerar o texto não mais,
como algo estático, pronto e acabado e sim, como uma estrutura em constante
construção. Como afirma Marcuschi
(2008, p. 75), “Não há dúvida de que a
LT situa-se nos domínios da Linguística e lida com fatos da
língua, além de considerar a sociedade em que essa língua se situa. A LT opera
com fatos mais amplos que a linguística tradicional.”
Assim
podemos dizer que o objeto da Linguística Textual não é mais frases ou
palavras, mas a linguagem textual como interação. Pode-se dizer que o que
importa nesta área da Linguística é suas condições de uso dentro do contexto
discursivo do texto. (BONIFÁCIO; MACIEL, 2017, p. 3)
A LT provêm, a seus primórdios das
matérias de Retórica clássica (cujos expoentes são Empédocles, Corax,
Tisias). Também da Estilística
que dizia ser a frase o elemento mais importante na Lingüística. A terceira e
última linha é a dos Formalistas Russos, que rompeu com os padrões da tradição
textual. Autores com Jacobson propuseram que a linguagem deveria ser analisada
em um esquema de comunicação: emissor, canal, código e interlocutores. (BONIFÁCIO;
MACIEL, 2017, p. 3)
O
desenvolvimento
das teorias da linguística de texto tem três momentos (ou fases) teóricos
bastante significativos:
1ª Fase, Transfrástica: segundo
Koch (2004), diz respeito a ordem gramatical, ou seja a
pessoa entende a ordem e a relação de verbos, predicado, sujeito etc.
2ª Fase, Gramática
do Texto: que segundo Marcuschi (1998) uma
pessoa pode identificar se uma frase tem qualidade de ser interpretada como um
texto.
3ª Fase
Elaboração da Teoria de um Texto: Onde um texto ganha a
proporção de coerência, de ordem que esteja dentro de um contexto e tenha
interação entre outros textos. Marcuschi (1998).
2 A LINGUISTICA TEXTUAL NA ATUALIDADE
Nos
dias atuais devemos ver a importância da Linguística Textual no processo sociocognitivo
para compreensão do texto. Esse processo diz respeito também a questões de
oralidade e de escrita e sua interação no texto.
Podemos
dizer que é através do texto que os homens matem um canal de comunicação
social, responsável para com a interação.
Assim, atualmente, a Linguística Textual tem como objeto
particular de investigação não mais a palavra ou a frase isolada, mas o texto,
considerado a unidade básica de manifestação da linguagem, isto porque o homem
se comunica por meio de textos, ocorrendo diversos fenômenos linguísticos que
só podem ser explicados no seu interior. (BONIFÁCIO;
MACIEL, 2017, p.13 )
De fato,
como observa os autores, não são mais elementos gramaticais como sujeitos, verbos,
e predicados junto com outras estruturas da gramática, que faz o
texto,
mas toda uma gama de fenômenos dentro do texto que fará a comunicação e a
transferência da informação comunicativa. E está explicação se dará dentro do
texto, não fora dele.
Envolve-se
aqui característica não apenas, gramaticais, mas como vimos de ordens semânticas
e pragmáticas.
Vimos, através de suas fases, que o que era apenas um
estudo da frase, passou para um estudo da gramática de texto, na tentativa de
suprir algumas lacunas não preenchidas pela corrente estruturalista e
gerativista; e logo em seguida, chegou se aos conceitos de texto, que por sua
vez o define não mais como algo Pronto e acabado, mas como um processo em
construção e, nesse sentido as contribuições tem sido ainda mais significantes,
pois, hoje se tem conceitos mais globais do que seja um texto, bem como dos
gêneros textuais, gêneros do discurso e tipos de suportes dos gêneros textuais.
(BONIFÁCIO; MACIEL, 2017, p. 13)
Podemos
então fazer alguma inferências
sobre a citação assim afirmada: A LT, como uma disciplina que estuda o texto em
seus vários aspectos não apenas levando em consideração elementos gramáticas,
mas a todos os fenômenos, inclusive orais em seu desenvolvimento.
Ao
Educador é importante se ater a esses elementos, no processo do ensino em sala,
já que como vimos, o processo não se dá em proporções apenas gramáticas, mas
sim, engloba vários fenômenos, tanto no âmbito gramatical, como no cognitivo. Deste modo,
a avaliação surge como uma mediadora no processo de compreender, não de julgar
os erros, tanto do professor como do aluno.
CONCLUSÃO
Chegamos
aqui a evidencia que, a linguística textual, não é apenas um estudo gramatical,
mas um processo mais amplo do estudo do texto o qual envolve uma gama de
elementos importantes para compreensão de formação textual.
Concluímos
também que é de fundamental importância que o educador se atenha a não observa
erros de gramática como algo que conduza o sujeito a entender que o texto é
apenas algo de ordem gramatical.
Neste
sentido o professor deve contribuir na construção do texto pela avaliação, está
será sua ferramenta no desenvolvimento do aluno, pela LT.
REFERÊNCIA
KOCH, Ingedore
Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e
escrever: estratégia de produção textual. São Paulo: Contexto, 2006.
MARCUSCHI,
Luiz Antônio. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In:
MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos. Hipertexto e gêneros digitais. 2ª ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
BONIFÁCIO, C.A.M; MACIEL, J.W.G. LINGUÍTICA TEXTUAL. Diponivel em: http://biblioteca.virtual.ufpb.br/files/linguastica_textual_1360183766.pdf .
Acessado em 10 de Ago. 2017
Cristiane Lima, Graduada em Letras: Uneb
Daiane Oliveira Santana, Graduado em Letras: Uneb